sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Caravana do Markinhos Moura, acompanhem !




Markinhos Moura, começou sua carreira artística em Fortaleza, ainda jovem, como ator, protagonizando grandes musicais como Os Saltimbancos e O Reino da Luminária. No Rio de Janeiro, no início dos anos 80, participou do primeiro Festival LUBRAX de Música Popular Brasileira, do qual saiu com o troféu de melhor intérprete, emocionando o público com a canção “Pra dizer adeus” de Edu Lobo. Na ocasião ganhou videoclipe no “Fantástico” (TV Globo) no qual sua voz era comparada com a da sua grande musa ELIS REGINA, ganhou contrato com a gravadora Copacabana, onde gravou seis discos e explodiu com a canção “Meu mel”, em 1987. Markinhos era figura permanente em todos o grandes e importantes programas da epoca,sempre fazendo grande sucesso com seu carisma e talento.

Em seguida assinou contrato com a gravadora polygran (hoje universal), onde gravou tres discos, e estorou novamente com as musicas," Anjo Azul" e" Estrela do céu". logo no inicio dos anos 90, lançou o album "Sem Pudor" um divisor de aguas na sua carreira,e um disco muito polemico, porque markinhos protagonizava um nú artistico na capa do polemico album. Também nos anos 90 realizou seu primeiro trabalho internacional, se apresentando durante três meses no famoso “AD JUDGEMENT”, Em Hong Kong. Após grande sucesso na China, foi contratado para se apresentar em Tókio, no “Bakana Ginza”, onde fez uma temporada de um ano.

Depois de morar dois anos e meio em miami,onde tb trabalhava, markinhos voltou ao Brasil a bordo do transatlantico REMDBRANT, onde era a pricipal atraçao

No final da década, de volta ao Brasil, retomou a carreira, gravou alguns discos e participou de musicais como “Bregópera” e “Aldeia dos Ventos", de Osvaldo Montenegro, tb excursionou com a peça de Zibia gasparetto "O Amor Venceu",onde demonstrava seu talento em três papeis distintos.
Num país de grandes cantoras,Markinhos se destaca por sua voz, afinada e androgina, que continua ate hj sendo aclamada e aplaudida ate hj.


Atualmente Markinhos acaba de concluir a gravaçao daquele que ele considera seu melhor e mais maduro trabalho que foi lançado em dezembro no teatro da famosa galeria Olido , o cd "MULHERES E CANÇOES", onde canta ao lado de dez convidadas, dentre elas ZEZE MOTTA, JANE DUBOC, AMELINHA, MARIA ALCINA,CIDA MOREYRA, VÂNIA BASTOS, FABIANA COZZA E OUTRAS. sem duvida,seu melhor trabalho onde fica comprovado seu talento e maturidade artistica, comfirmando sua fama de ser uma das mais belas vozes do Brasil.

https://www.facebook.com/events/705182702843166/

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Formação de Leitores, um difícil e árduo programa


A formação de leitores deveria ser a preocupação maior de uma sociedade. Formar uma pessoa para a leitura é abrir as possibilidades todas de entendimento e construção de novas histórias.

Seja através da leitura literária, técnica, informativa, os horizontes se expandem e a capacidade de entender a alegria, a dor, o momento de refletir, de agir, de parar fica muito mais clara. Ler é antes de tudo
adquirir a capacidade de optar.

Formar leitores não é tarefa fácil, consome recursos, energia e para tal é necessário uma política de formação de leitores que vá além de promoção de feiras, bienais, festas fechadas para consumo do objeto livro, a leitura está bem além do livro.

Temos que superar a deficiência dos programas e ações isolados e descontínuos, muitos deles com bastante qualidade, mas que não trazem a organicidade e integração.

Não foi a primeira vez que escrevi essas palavras, tampouco será a última, não tenho medo de ser redundante diante de uma realidade que insiste em mudar muito pouco. Sempre, sempre na luta pela democratização do acesso à leitura e informação.
 
Ricardo Queiroz Pinheiro
 
O Blog: Concordo plenamente, e não só essa prática é difícil de dar aos jovens, o vício e hábito da leitura(como seria bom) como outras artes. O problema é que as bibliotecas se esvaziam cada vez mais e menos pessoas interessadas por livros. Oras, mal sabem que no livro vc tem a história ou estória completa, onde na primeira vez poderá ser até difícil o bom entendedor, mas com o tempo interpretará melhor.
O mesmo caso ocorre com a música, não é fácil, há um longo caminho perdido, formar músicos com o atual sistema.
Quando Ricardo menciona, fomentar a leitura não é apenas bienais, feiras, festas fechadas para consumo do objeto livro, a leitura está bem além do livro. Eu se falar de música, diria as mesmas, mas situando a música.


Coral de Crianças talentosas enriquecem o dia



Neste vídeo está meu sobrinho, carinhosamente chado de Gigi e muitos cantores de coral.
Meu sobrinho em Sorocaba está tendo aulas de musicalização, na qual se refere ao instrumento e Teoria Musical, a voz é sem dúvida nosso primeiro instrumento.
São Bernardo do Campo em épocas de 2010 dava aulas de flautas para umas 40 crianças, alí eram dados teorias musicais. Este local é meio afastado do centro, por este motivo ninguém pergunta, não cobra, os projetos de 2010 no CLM(Centro Livre de Musica) no Teatro Martins Pena.
Meu sobrinho hoje toca teclado, depois de brincar bastante no meu, mas era de praxe , chegava em São Paulo e já botava os dedos nas teclas do meu instrumento.
Me diz oh secretaria da cultura, te parece difícil?
 Para quem quer descobrir meu sobrinho ele está na fileira do meio, e do lado esquerdo apenas ele de menino ao lado de uma menina bem loira(acho que a mais loira que há lá naquele momento!)
Sorocaba está se tornando uma das referências em Mobilidade Urbana, tendo o ciclismo bem difundido e como passar cultura é complicado a curto prazo, estão formando uma das cidades que no futuro conseguirão tocar(não digo profissional, mas para satisfazer o EGO) tocar no Natal, em um Aniversário .... parabéns Gigi , parabéns Sorocaba! Parabéns a toda Escola e ao Coral Feliz Idade

domingo, 8 de setembro de 2013

A Banda Metalurgia foi uma Banda diferente mesmo..



Zuza Homem de Mello , crítico, jornalista, entusiasta do Jazz como eu mesmo pude aquilatar, quando trabalhava na recepção e acompanhamento dos artistas que participavam do 2° São Paulo- Montreaux Jazz Festival, assinou uma interessante crítica sobre a Banda Metalurgia, que foi publicada na contra capa do primeiro disco lançado em 1982. Em 1979 quando cursava o 1° ano de Composição e Regência de Artes do  Planalto(UNESP) em São Bernardo do Campo , tive a oportunidade de aquele que seria o líder e undador da Banda: Itacyr Boccato Jr ou simplesmente  Boccato. Extravangante, irreverente mas com muito talento, bastavam poucas palavras para identificar a personalidade criativa e o espírito empreendedor do músico. Lembro que muitas vezes matávamos aula para tocar composições improvisadas e aleatórias. Era divertido e ao mesmo tempo construtivo...
Todos Rapazinhos da Banda Metalurgia que transformou o jeito de fazer musica
BANDA METALURGIA(por Zuza Homem de Mello)

Se não estou enganado, a primeira vez que fui ao Lira Paulistana, foi exatamente para ver a Banda Metalurgia. Alguns dos músicos eu lá conhecia de um churrasco que a Elis Regina tinha dado uma noite lá na Cantareira. O César tinha me falado deles nos ensaios do Show Saudade do Brasil, por isso conclui que ia ser um bom show, esse do Lira, com a Banda toda. Mas vou contar: me caiu a cara. Quando eles atacaram o Multinacional, naquele mastigado, passado de funky para baião com uns andamentos quebrados 3/8 e 5/4, bom, daí  para frente todo o mundo no teatro ficou empolgado. Quando acabou foi uma ovação, eles tiveram que bisar e estavam numa felicidade total, Não é pra menos. Muitos deles já se conheciam e tocavam juntos desde os 10 anos, nas Bandas de São Bernardo do Campo que pelo visto pode ser um celeiro de músicos (como eu já mencionei das chamadas “Bandinhas”). Os que levavam jeito, procuravam se aperfeiçoar na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, foram tocando em bailes, festas e ai nasceu um quinteto com dois sopros(Lino e Boccato) Eduzinho no baixo, o Mané no piano e Duda na bateria. Aí esse quinteto se desfez, eles resolveram morar uns tempos numa fazenda em Atibaia, ensaiando para bailes; formaram  a Banda Nossa, o grupo foi refeito, e assim , em outubro de 1981 quando surgiu em cena Mauricio Birigui que se entusiasmou loucamente pelo som da rapaziada  e organizou tudo, acabou  formando a Banda Metalurgia. Bom, não foi bem assim que a banda se formou. Cada um teve que tocar em tudo o que é  bocas da que apareceu, show de cantor, bailes, festas de aniversários , conjuntos, show erótico enfim todas as bocas de sabedoria musical. Nesta fase de trabalhos paralelos aconteceram  algumas viagens como a de Guayaquil com Roberto Carlos, onde Boccato compôs “Lá em Guayaquil” os inevitáveis conflitos domésticos, daí nasceu  o tema “Barra Pesada” que o Mané Leão enfrentou quando decidiu transar música. Shows com Arrigo Barnabé, Rita Lee e Elis Regina(no Canecão) quando 4 deles e mais 15 agregados moravam na rua Raimundo Correia em Copacabana, além de canjas como as do bar  Pinicilina.
Como laboratório, a rapaziada ensaiou muito no Bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo, muitas vezes, de manhã cedo,  quando é melhor para se trabalhar, os arranjos foram sendo lapidados com palpites de todos e com base de tudo que foi aprendido e  ouvido. A Musica de Moacir Santos, Hermeto Pascoal , tiveram muita influência nas transas de Arrigo Barnabé, também as bandas de Tito Puente e Peres Prado, a Orquestra Tabajara de Severino Araújo, Glenn Miller, Tom, João Gilberto, Bill Evans, Herbie Hancock , Waine Shortez, todo esse povo foi ouvido e curtido sem o menor preconceito para que se saísse um som cheio de quebrados e de vitalidade da Banda. Por incrível que pareça até Discotheque teve influência na formação destes músicos. De fato, esse sotaque de metaleira com saxofones tocando em notas curtas em stacatto , vem daí. Com todos esses antecedentes a Banda Metalurgia se tornou um grupo fiel, onde todo mundo quebra tudo junto, a tempo, com o som deles mesmos e não montados em cima da idéia de um arranjador ou um solista. Essa de time de 10 cartas que atacam e defendem juntos é fundamental no trabalho da Metalurgia. A sede de música que eles tem é compreensível depois do que chamam de “DITADURA DA CANÇÃO” que é um excesso de produção na musica brasileira dos últimos anos, tendo tudo a mesma cara, a mesma roupa. Eles tem razão. Ultimamente os caras da música brasileira dão a impressão de terem ficado xaropes. Em Compensação, essa moçadinha da Banda Metalurgia está saindo com força braba mesmo – Zuza Homem de Mello agosto de 1982

Discografia- Banda Metalurgia- Gravado no Estúdio Som da Gente, entre março e Junho de 1982

Componentes da Banda:

Boccato -Trombone
Lino Simão- Sax Tenor/Sax Barítono/flauta e picolo
Nonô Camargo- Trumpete/Flughehorn
Cláudio Faria- Trumpete/Flughehorn
Jacaré - sax alto/flauta  
Julio Pelochi - Sax Tenor 
Marcelo Munari – guitarra
Edu Fiore – Baixo
Mané Leão – piano acústico e piano elétrico.
Claudinho Batera- Bateria
Participantes especiais Rogério Benati(percussão) e Ubaldo Versolato(flauta)
Ubaldo Versolato com seu sax Barítono
Bocato em uma das entrevistas no Lira Paulistano



Este blogee: Aqui foi colocado o que a anos não vemos mais, Bandinhas, entusiasmo, loucura por música e Zuza Homem de Mello em 1982 descreveu a Banda Metalurgia como ela foi, um som que atravessou décadas e você meu caro leitor ouve sem saber que a Banda Metalurgia compôs a musica...
O Tema  inicial do programa que era exibido na TV Cultura , a “Fabrica do Som” , era uma das musicas. Mas não foi só exibida na Fabrica do Som, foi e é exibida em programas de televisão, rádio.
O Tema do programa “Mais Você “  também é da Banda Metalurgia e vc ouve a mais de uma década e nem sabia!
 Essas quebradeiras que fazem da Banda Metalurgia inconfundível

Onde está aquele incentivo para a rapaziada? Cadê nosso exercito de músicos? Agora em 2013 ser músico é penoso. Mas há um lamento, as bandinhas em dias de solenidade eram alegria nas ruas, hoje bandinhas que estão com instrumentos de patrimônio municipal, tocam somente para igrejas. Oras Boccato também é evangélico e nem por isso deixou de tocar seu suingue com uma pitada de Pixinguinha, e até visualizando estar de chapéu  e sapatos de couro branco.
Essa rapaziada tem que ouvir de tudo, aprender e faça como a Banda Metalurgia, faça músicas, ouça nos sons dos pássaros, pingos das chuvas, de manhã eu posso afirmar que é o horário melhor para se compor, mas porque? Ouvimos ventos, sinos, pássaros, águias, 

 
Será que iremos ouvir no palco a Banda Metalurgia? Pergunto ao Claudio Baeta

domingo, 1 de setembro de 2013

Por que não doar para o Criança Esperança?

Todo mês de agosto é a mesma coisa: o Renato Aragão faz cara de bom moço, um monte de artistas da Globo vão fazer um show coletivo e a emissora fica umas duas semanas falando de dois em dois minutos os telefones para doar 10, 20 ou 40 reais. Tudo muito bonito, na teoria. O dinheiro é doado para a UNESCO, que repassa para um monte de entidades. Todos ficam felizes, a Rede Globo fica com uma imagem positiva perante a sociedade e alguns projetos são ajudados. Aparentemente, está tudo bem.
Criança Esperança 2011, fonte Rede Globo



Mas, então, por que doar para o Criança Esperança é errado?
1) Falta de transparência no repasse dos recursos: por mais que a Rede Globo mostre como a sua doação chega à UNESCO e depois é repassada às entidades cadastradas, não há informações detalhadas de como isso acontece. A própria prestação de contas do projeto não discrimina os valores que foram encaminhados para cada entidade.
Não é, obviamente, o caso de acreditar em conspirações que dizem que a Rede Globo desvia o dinheiro arrecadado. Mas ficam algumas perguntas no ar. Um exemplo: de acordo com a própria Rede Globo, foi arrecadado um total de R$ 17.762.610,91 ano passado, e, de acordo com a própria prestação de contas do projeto, foi investido o total de R$ 17.263.278,00. Onde estão os R$ 499.392,91 restantes?
2) Excesso de burocracia: se você olhar a lista dos projetos apoiados no último ano, vai ver coisas muito interessantes: orquestras, projetos em favelas, projetos contra violência doméstica, bastante coisa legal. Além disso, 86 projetos foram beneficiados, 56 deles com mais de R$ 100 mil. Só que, ao ver a convocatória para os projetos, os requisitos são:
- Ser legalmente constituída no País (ter personalidade jurídica);
− Ter no mínimo três anos de fundação e atuação;
− Ter experiência na área temática proposta;
- Estar inscrita no Conselho Municipal e/ou Estadual e/ou Nacional de sua área de atuação (conselhos de Assistência Social, conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, conselhos de Educação, conselhos de Saúde); e
− Apresentar contrapartida para o desenvolvimento do projeto.
Isso limita bastante o número de projetos “apoiáveis”, apesar de ser um mecanismo compreensível para evitar fraudes. Mas o que mais atrapalha é justamente o fato de que deve haver todo um processo de seleção de projetos em entidades consolidadas para que a Rede Globo repasse o dinheiro (lembre-se, não sabemos critérios e valores por entidade) à Unesco e, depois, da Unesco, esse dinheiro seja repassado às entidades. Se as pessoas fizessem as doações diretamente às entidades (que são pessoas jurídicas e tem contas para receber tais doações) todo esse processo seria evitado.
3) Excessiva fragmentação e doação sem saber a destinação do dinheiro: as pessoas leigas acham que Criança Esperança e Teleton são “a mesma coisa”. Não são. No Teleton você tem uma única entidade beneficiada (A AACD), uma meta de doações (R$ 26 milhões, em 2013) e um projeto prévio, que normalmente é a construção de um novo hospital para o público-alvo da AACD (crianças com necessidades especiais). Tudo com um foco e um objetivo específico.
No Criança Esperança não é assim: você não sabe as entidades que serão beneficiadas quando faz a doação. Nem mesmo quantas entidades serão beneficiadas. São dezenas de projetos pontuais, e a auditoria do que é feito com o valor é muito mais difícil. A excessiva fragmentação, além de favorecer a corrupção, acaba privilegiando os projetos de curto prazo, uma vez que o cadastramento de entidades apoiadas é anual e a entidade nunca sabe se o seu projeto será apoiado no ano seguinte.
4) Disseminação da cultura de filantropia na classe média, e não na classe alta: hoje o termo “filantropia” se confunde com o termo “caridade” e abrange diversas organizações religiosas. Mas em sua origem como “política ordenada de doações”, no Império Romano, no século IV, era um termo pagão utilizado para “concorrer” com a caridade praticada pelos cristãos.
A filantropia moderna, por sua vez, não deixou o caráter de “política ordenada de doações”. Mas, no Brasil, sempre se confundiu com o próprio termo “caridade”. De acordo com Silvana Maria Escorzim:
Historicamente no Brasil as ações filantrópicas estiveram arraigadas à concepção caritativa de ajuda ao próximo sob o prisma da moral cristã, na qual há o reconhecimento do valor da pobreza como redentora dos pecados.
Essa mentalidade religiosa de ajuda ao próximo foi decisiva para definir o caráter da filantropia no Brasil. As doações no Brasil são feitas, em sua maioria, pela classe média. Muitas delas de maneira informal. E a maioria das doações se divide em dois tipos: as que são feitas para instituições religiosas e as que são feitas para projetos como o Criança Esperança.
E aí é que está o problema. Programas como o Criança Esperança ajudam a eternizar o brasileiro de classe média como ator principal da filantropia no país. Ao contrário do que ocorre nos EUA, por exemplo, em que empresários são responsáveis pela maior parte do volume de doações para filantropia – e em geral para instituições específicas, como universidades.
Existem outras questões que agravam o quadro, como a burocracia para doações às universidades no Brasil e a ingerência, nos projetos, de empresários que investem no terceiro setor em busca de resultados rápidos. Mas o fato é que o Criança Esperança, como órgão da Rede Globo associado à UNESCO, só contribui para difundir no Brasil essa cultura de que quem tem que fazer filantropia é a classe média, e não os ricos.
Observação: não é que os ricos norte-americanos sejam bondosos. A filantropia tem motivos muito específicos por lá. Rockefeller e Carnegie passaram as últimas décadas de vida praticando filantropia para tentarem recuperar suas imagens, desgastadas pelo rótulo de empresários monopolistas. Filantropia, em geral, é uma forma das empresas e empresários melhorarem suas imagens com a sociedade.
Além disso, há uma diferença tributária importante. Enquanto no Brasil a taxa de inventário sobre o patrimônio, quando alguém morre, é de 4%, nos EUA essa taxa chega a 50%, podendo ser abatida por doações. A taxação de fortunas no ato da herança, além de impedir a eternização de aristocracias, é um poderoso instrumento de incentivo às ações de filantropia por parte das classes mais altas (mas o projeto do Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição de 1988, segue sem nem ter sido apresentado no Congresso)
5) Não é caridade, é marketing: Rockefeller, além de um grande filantropo, foi o inventor das Assessorias de Imprensa (que hoje empregam 68% dos jornalistas do Brasil). E tudo isso tinha um grande objetivo, além de “fazer o bem para o próximo”: melhorar sua imagem, corroída por políticas monopolistas detratórias, junto à sociedade.
Com a Rede Globo também é assim. Da mesma forma que ocorre com a grande maioria das empresas que fazem trabalhos de filantropia ou de “responsabilidade social”: em geral, são apenas iniciativas para melhorar a imagem dessas empresas ou desses capitalistas. Você vê a preocupação social sobrepujar o interesse empresarial apenas em alguns poucos casos, como, por exemplo, o da Fundação Bill & Melinda Gates, que é a maior fundação de caridade do mundo, atualmente, e faz questão de se manter institucionalmente separada da Microsoft, empresa controlada por Bill Gates.
Portanto, quando você está doando para o Criança Esperança, só está contribuindo para que a Rede Globo mantenha uma imagem institucional positiva perante a sociedade. E é basicamente para isso que a emissora faz uma campanha tão intensa.
Conclusão
Quer fazer uma doação de R$ 10, 20 ou 40? Faça para uma instituição que você conhece, e não para uma empresa que está fazendo um show beneficente e cobra ingressos de R$ 40 nele. Ou, senão, faça melhor: doe para um morador de rua. Ele certamente ficará mais grato e fará um uso melhor. Vamos parar com esse preconceito de “ah, eu só dou comida para moradores de rua, dinheiro nunca, vai saber o que ele vai comprar”. Quando você dá algo para alguém não a maior mesquinhez possível é tentar decidir o que a pessoa deve fazer com aquilo.
Não é que a filantropia seja errada. Pelo contrário, ela deve sempre ser feita. O próprio Teleton é um projeto louvável. Só que o Criança Esperança incorpora um monte de atitudes condenáveis sem dar o devido retorno para a sociedade. Quer doar? Tem um monte de entidades filantrópicas por aí, e a grande maioria delas precisa de sua doação mais do que o show apresentado pelo Renato Aragão.

 http://leorossatto.wordpress.com/2013/08/31/por-que-nao-doar-para-o-crianca-esperanca/#comment-6792