sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

TIMBALADA ESTÁ ALÉM DA MÚSICA



                                   

Fã é o mesmo em qualquer lugar quando se refere ao amor naquela pessoa admirada seja artista, esportista, uma professora, alguém que é referência da sua área, etc. Quando se trata de grupos musicais, o trato é muito mais apaixonado.
Na Bahia, existe um grupo musical que desde que estreou sua participação nas festas de largo da capital baiana, desperta paixões. Trata-se da Timbalada, grupo percussivo criado por Carlinhos Brown no início da década de 1990, originário do bairro do Candeal e descendente do antigo grupo percussivo Vai quem Vem.



A Timbalada surge no cenário da música baiana no momento em que a chamada Axé Music cresce em todo o país através de bandas dos chamados blocos de trio, blocos da classe média soteropolitana na qual o gênero musical passou a ser tocado de forma mais pop para melhor aceitação do mercado sobretudo do sul e sudeste do país.



Aquela música percussiva tocada por dezenas de percussionistas (e até centenas, como nos arrastões) traziam elementos que já estavam sendo colocados de lado pelas bandas dos blocos de trios. Toda a percussividade das ruas de Salvador, da bateria dos Apaxes do Tororó, Secos e Molhados, Barrabas, dos sambas juninos, samba-duro, dos afoxés e afro, a musicalidade oriunda das religiões de matriz africana e musica afrocaribenha, todos esses elementos traduzidos nos timbaus (não é timbales ou timbal) da banda. A Timbalada além da música, veio como um movimento de afirmação estética da juventude dos bairros populares. As famosas basqueteiras no pé, bermudas da marca Spinnaker, cabelos trançados, óculos fora dos “padrões”, aquela forma de dançar e estilo despojado que destoava do que estava sendo imposto pela indústria do carnaval e que por isso mesmo trazia uma verdade que é da maioria da população soteropolitana. A Timbalada foi a afirmação dos jovens dos bairros pobres, de maioria negra, no momento em que a classe média chamava essas pessoas “exóticas” (para elas) de “brown”. Não era difícil ouvir na rua frases como “ah velho, você dança como um brown…”, ou um “não vou naquela festa porque só tem brown…”. O velado racismo foi, de alguma forma, neutralizado (e não superado) com o surgimento da Timbalada. Ser brown (marrom) estava na moda e aquele grupo musical, mesmo sem essas pretensões, começava a representar parte significativa da nossa sociedade, hoje, auto-intitulados de nação timbaleira.Por tudo isso (e algo mais), a banda Timbalada é diferenciada. Seus fãs não são fãs meramente da música em si, mas de todo um movimento que perpassa a questão musical. É uma questão de identidade e sobrevivência dessa identidade num mar onde o poder do dinheiro tem cor, classe e modifica nossos símbolos e nossa cultura. A Timbalada reverbera um jeito de ser, uma forma de pensar, um lugar.





Nestas ultimas semanas, foi anunciada a saída do último cantor da geração que fundou o grupo e também foi anunciada a entrada de uma cantora. Denny sairá após o carnaval e Millane Hora, uma alagoana que ficou conhecida através de programa televisivo, assumirá os vocais do grupo.


No primeiro Ensaio (show) feito neste domingo, a cantora foi vaiada pelos fãs do grupo e muito tem se comentado sobre as vaias, alguns a favor e outros contra.


Muitas pessoas falam sobre respeito à cantora que em nada tem a ver com isso, em nada tem culpa do que aconteceu. Mas é importante refletir sobre o fã.





Ja perguntaram o que o fã está sentindo? Já se questionaram sobre o que sente o fã com a perda (ou ameaça) de algo tão representativo para ele? Respeitem esse sentimento. É prática do mercado impor uma marca, um novo cantor ou cantora e achar que porque é fã, “vai ter que gostar”. Temos vários exemplos que não deram certo em qualquer gênero musical e é a vida. Uma cantora ou um cantor, num grupo como a Timbalada não pode ser encarado só como algo no campo da música. A questão não é só a música e erra quando se critica apenas por esse viés. A representatividade neste caso é muito maior. As infelizes vaias foram para a cantora Millane Hora, mas em verdade não foram para ela…

Fernando Monteiro



Este Bloggueiro:Entre amigos de Fernando Monteiro(eu sou um deles), que deram suas contribuições nos comentários, vários elogios, pois na verdade concordam, entre os amantes do Timbalada, os fãs, em dizer que "temos vários exemplos musicais que não deram certo e isso é a vida", como Caetano Veloso foi vaiado e mesmo assim ele estava certo.

Os internautas temem o fim do Timbalada com a saída de Denny, da identidade e mostro em uma postagem do Junior Bastos:

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Vejo pessoas defendendo essa vocalista, mas pergunto: teria necessidade de trazer uma artista que não seja baiana para assumir os vocais? Não se resume a cor, mas há de ver outras coisas que o público (leia-se fãs) não iria entender ou assimilar tal questão.

Imagine se o Chiclete tivesse contratado um vocalista do sudeste ou do sul do país para o lugar de Bell? E se fosse negro? E se fosse mulher? Aqui estou colocando as variantes em todos os pontos que foram discutidos (cor, origem, ou até mesmo gênero).

O que vejo são os fãs querendo que a banda não perca sua identidade assim como aconteceu com o Olodum, Ara Ketu e outras bandas que não conseguiram se sustentar por conta das mudanças consideradas ousadas para atender à mídia e a uma platéia determinada.

Ela pode dar certo? Sim, pode. Até porque Amanda também era branca e teve seu lugar marcado na banda (e era baiana!). Mas tem que ir com calma nas escolhas.


Junior Bastos


Este Bloggueiro: Na música, manter a identidade é importante quando se trata do grupo. Quando é vc por vc, fora do grupo, você pode ser o que quiser.

Não sou Baiano, sou do sudeste, mas sou Músico com muita honra e gostaria de dizer, façam a escolha acertada, pensem, achem, salvem esta manifestação artística de boa música,que em teoria ainda está com a identidade intacta. Lembrem-se, vocês formam mais do que um grupo e ou comunidade, são amigos.



O Face do Fernando Monteiro, exato no link que está esta discussão clique aqui  





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