quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

EVENTO DA CULTURA x CULTURA DO EVENTO



Do sensacional Luiz Antônio Simas:



"PROPOSTA PARA O RÉVEILLON



Ouço dizer que o réveillon vai ser minguado na praia, em virtude da crise. Eu tenho uma sugestão melhor, que evidentemente vai ser ignorada, sobre o que a prefeitura deveria fazer em Copacabana no dia 31: nada. Apenas deixem que os terreiros de umbanda voltem a fazer uma comemoração que foram eles, os terreiros, que inventaram. A festa é garantida.

Só para lembrar: o hábito carioca de se comemorar a virada na praia começou com os umbandistas, que durante muitos anos ocupavam sozinhos as areias para louvar Iemanjá. A iniciativa de se fazer a festa na praia de Copacabana partiu de Tancredo da Silva Pinto, o Tata Tancredo, líder religioso, sambista (foi fundador da Deixa Falar do Estácio) e personagem fundamental da cultura carioca.

Era bonito ver a orla ocupada pelos terreiros e a noite iluminada por velas. O furdunço não excluía ninguém. Conheço ateus, católicas, crentes, budistas, flamenguistas, tricolores, bacalhaus e botafoguenses que, por via das dúvidas, garantiam ano bom recebendo passes de caboclos e pretas velhas nas areias, com direito a cocares, charutos e sidra de macieira. E não tinha rede social para a pessoa fazer selfie com entidade e tirar onda de alternativa, como vi dia desses. O babado rolava na fé.

Hoje a confraternização nas areias de Copacabana virou atração turística bacana, atrai gente de tudo quanto é canto, gera divisas e garante a ocupação da rede hoteleira. Em contrapartida, os atabaques foram silenciados e os terreiros buscaram alternativas para continuar batendo em praias fora dessa "centralidade turística", driblando ainda a intolerância do bonde da aleluia.

Os shows de pagodeiros, roqueiros, sambistas, sertanejos, rappers, DJs de música eletrônica, revelações adolescentes, blocos carnavalescos descolados e o escambau, além de transformar a festa em um verdadeiro sarapatel sonoro, calaram os tambores rituais. A elitização do furdunço é evidente nos espaços reservados nas areias, controlados por grupos privados, hotéis, quiosques e similares.

A festa, que era um potente evento da cultura, andou nos últimos tempos sucumbindo aos ditames da cultura do evento, aquela que espetaculariza tudo como simulacro. Tem até pacote turístico que já inclui o barquinho de Iemanjá e revista de celebridade que monta cercadinho com jogo de búzios fashion. Curioso é que ninguém brinca de simulação da Missa do Galo.
Como gosto de causas perdidas, boto a boca no trombone para que a tradição do fim de ano não encontre no poder público um agente legitimador de interesses privados, sob o falso argumento da comemoração para todos que, cada vez mais, perde a vitalidade que a caracterizou.
Fica a dica. Não fazer nada pode ser é uma ótima iniciativa."
Rio de janeiro


São Paulo- Praia Grande
Este blogue :Em São Paulo,não ouvi rumores. Sou filho de Yemanjá, vocês queriam que eu ficasse em casa assistindo tv BOBO? Vou para a praia, minha casa...

Luiz Antônio Simas, é um critico e toda a critica deve ser lida como tal.
A Religião da Umbanda é muito mais do que os espaços, a tradição da Umbanda nós vemos nas roupas brancas, nas sete ondas que pulamos(algumas das coisas de nossa Fé) que desde que vou a praia conheço e todos fazem (como diz o Jornalista) , tooodos sem exceção.
Na História da Umbanda, tudo começou com Zélio Fernandinho de Morais, prestes a entrar na Marinha em (mais ou menos) 15 de novembro de 1908(1907), surgia aí o Caboclo Sete Encruzilhadas.

  


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